Olá pessoal!

Este é a nossa segunda conversa sobre rótulos cosméticos, e a pergunta que vamos responder hoje é Como confiar numa empresa a partir do rótulo?

Se preferir ouvir o post, clique aqui:

Esta é uma pergunta bem difícil. De uma forma geral, podemos dizer é que o rótulo é um instrumento de comunicação com o consumidor. Como falamos no post Por que é tão difícil entender rótulos cosméticos, há informações mínimas previstas pela legislação, que são basicamente os dados técnicos e as advertências. O texto com uma linguagem mais direta é a comunicação escolhida pela empresa para conversar com seus clientes.

E daí, neste texto, podemos nos perguntar:

A indicação está clara?

Eu entendi facilmente o modo de uso?

Há aqui algum apelo de marketing que possa me confundir ou ser interpretado de mais de uma forma?

Os símbolos escolhidos são universais? Representam uma característica validada do produto, ou é um apelo de marketing?

Conforme você adquire o hábito de leitura dos rótulos, começa a perceber a diferença entre uma comunicação clara e outra nem tanto. Vamos dividir aqui algumas dicas e exemplos para ajudar na reflexão.

No site da ABIHPEC (Associação Brasileira das Indústrias de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos), no manual para exportação de cosméticos para o Canadá, há a seguinte orientação: Nenhuma empresa pode rotular, embalar, vender ou anunciar um produto de forma falsa e enganosa, ou criar uma impressão errada sobre a ação, características, composição ou segurança do produto.

Exemplos citados no manual:

Num rótulo de creme antiaging, pode constar a informação sobre ele ajudar a prevenir os sinais da idade, mas não pode haver nada parecido com ele eliminar as rugas, pois esta afirmação pode criar uma impressão errada sobre a ação do creme.

Da mesma forma, num creme para celulite, é permitido dizer que ele reduz a aparência da celulite, mas é proibido descrevê-lo como creme emagrecedor.

Você já leu apelos semelhantes em rótulos, que poderiam gerar uma impressão de ação ou de composição do produto que fosse enganosa?

Da última vez que conversamos sobre rótulos (leia aqui o post), falamos sobre a sequência dos ingredientes na lista de composição dos rótulos. A escolha por colocar os ingredientes na sequência decrescente de concentração é também uma escolha pela transparência na comunicação com o consumidor.

A todo tempo temos palavras e compostos que entram e saem de moda, e são usados como apelo nos rótulos cosméticos.

Nossa dica neste caso é, se o termo ou expressão não é extremamente claro para você, e se o rótulo não ajuda a explicá-lo, procure saber o que significa antes de se deixar seduzir pelo apelo de marketing. Se um buscador de conteúdo não lhe direcionar para textos claros e embasados cientificamente a respeito do termo ou composto, use os seus canais de comunicação com a empresa e pergunte. O modo como ela responder pode ser um bom indicativo de quanto clara ela quer manter esta comunicação.

Uma destas expressões com forte apelo é a não testado em animais. Você sabia que a maioria dos cosméticos que você compra no supermercado e no balcão da farmácia não precisam de testes de segurança para irem para o mercado? Os cosméticos classificados com menor grau de risco pela ANVISA, os de tipo 1, podem dispensar este teste. Para estes, a frase não testado em animais não quer necessariamente dizer que a empresa fez uma escolha consciente pelo bem estar animal. busque saber se, além do teste no produto final, os ingredientes não foram testados. E se nenhum animal foi explorado ou morto para a coleta daquele ingrediente. Se não é claro no rótulo ou no site da empresa, use novamente seus canais de comunicação!

Há diversos símbolos criados pela própria empresa, com diferentes animaizinhos, que insinuam a preocupação com o bem estar animal. Mas procure saber sempre a informação completa.

Ainda sobre os símbolos, prefira os de certificadoras neutras aos criados pela própria empresa. Conheça estas certificadoras, o que elas certificam, e quais são seus símbolos.

Nós da Tero temos os selos de cosmético orgânico certificado pela Ecocert, de cosmético vegano pela SVB (Sociedade Vegetariana Brasileira), e de compensação ambiental pela EuReciclo.

Isto significa que todo o nosso processo produtivo e de comunicação foi auditado pela Ecocert. Ela é uma certificadora reconhecida internacionalmente por sua seriedade e por prezar pelo uso de ingredientes e processos que respeitam e valorizam a natureza e a sua saúde. Outra certificadora de qualidade orgânica no brasil é a IBD.

Sobre o selo da SVB, ele certifica que nenhum ingrediente de origem animal foi utilizado e que nenhum teste em animal foi realizado em nenhum momento da cadeia de produção. Há outros selos de ONGs que lutam pelo bem estar animal, e há algumas polêmicas em torno deles. Procure saber e formar a sua opinião a respeito.

Finalmente o selo da EuReciclo é um compromisso com a compensação ambiental das embalagens. Além do selo da EuReciclo, uma outra forma de uma empresa ser ambientalmente responsável com relação a seus resíduos é desenvolvendo embalagens sustentáveis. Dentro deste assunto temos tanto conteúdo que poderíamos conversar por vários dias. Indicamos aqui duas empresas para vocês se aprofundarem sobre o assunto: a EuReciclo e a Ecycle.

De novo, pessoal, as embalagens, o modo como o produto chega para você, e seus rótulos são uma forma de comunicação da empresa com seus consumidores. Atente-se a ela. Busque as informações que lhe faltam. E faça escolhas mais conscientes!

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Até a próxima! Um beijão!